Recanto Literário

Qual o proveito das flores postas somente sobre o caixão? Têm mais valor as que são dadas em vida.

Textos

Os cronistas e os animais de estimação

 

Que bela segunda-feira! Hoje são 17 de agosto de 2026, verão para nós. O sol já chega dizendo a que veio, em raios lindos e amistosos, a embelezar a sombra no muro e no chão do quintal, meu pequeno bosque em meio à selva de concreto em que vai se transformando Marabá. Sobressaem, lindíssimas (eu, pelo menos, acho) a mangueira e a embaúba que deixei crescer. Os raios do sol, lindamente amarelinhos, chegam através da folhagem das árvores e são um convite irrecusável a escrever uma crônica.

 

Venho à biblioteca e escritório residencial, para pegar o celular, que, desligado, deixo carregando ao longo da noite. Costumeiramente, fico off-line desde quando me deito, por volta de zero hora a uma hora, até ligar o celular, às 9, 10 horas, já com sol alto. Comigo, não existe essa história de já amanhecer ao celular, não, embora, não raramente, ao chegar à biblioteca, já ligue o computador, o que, convenhamos, dá na mesma. Há dias, porém, em que ligo o celular mais cedo. Foi o que aconteceu hoje.

 

Ligado o celular (Napoleão de Almeida, certamente diria “ligada a geringonça”), vi, com alegria, que o amigo Antônio Torres, da Academia Brasileira de Letras, tinha me enviado, como faz de vez em quando, a crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada no jornal O Globo, a de hoje intitulada “Um porco passeia por Ipanema”. Li imediatamente, não sem antes repassar à Professora Doutora Joseilde Maria Teles, uma das minhas professoras do curso de Letras e amiga muito especial. A crônica fala, dentre outras coisas, de animaizinhos de estimação. E a sua leitura, evidentemente, só me reforçou o desejo de escrever.

 

Eu não sabia, mas o cronista, de forma bem-humorada, recomenda a quem quer ter assuntos para cronicar ter um bichinho de estimação. E fala de vários cronistas que o tiveram. Dentre outros, Otto Lara Resende tinha o gatinho Zano; Carlos Heitor Cony, a cadelinha Mila. Pois bem. Eu – que, evidentemente, não ouso nem de longe me comparar com os dois – tenho uma cadelinha sapeca, a She-Ra. E, antes dela, tive outros: Maguila, Sansão e Aquiles. Também fiquei sabendo que Antônio Torres tinha um gato azul, o Minu.  

 

Pois bim. Não concluí a crônica naquele 17 de agosto, segunda-feira, que já vai bem longe. Somente hoje o faço. E já é a madrugada de sexta, 4 de setembro. Começo a escrever às 2h50, enquanto espero a Câmelha, minha mulher, que está vindo de Belém para Marabá, no voo das 2h40 de hoje da Azul. Ela esteve na capital, desde o dia primeiro, como diretora da Escola Estadual José Alves de Carvalho, no encontro de gestores de escolas estaduais promovido pelo Governo do Estado do Pará. Cheguei a deitar-me, às 23h38, mas, como não consegui dormir, levantei-me à 0h18 e não mais me deitei. Vou aguardar de pé a minha amada.    

 

Valdinar Monteiro de Souza
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 04/09/2026
Alterado em 23/09/2026


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