Recanto Literário

Qual o proveito das flores postas somente sobre o caixão? Têm mais valor as que são dadas em vida.

Textos

Parentesco e companhia: ajudadora fiel

 

 

O homem é poeta, a mulher já nasceu poesia. Na visão judaico-cristã, Deus criou os céus e a terra, depois criou o homem sozinho à sua imagem e semelhança e, por último, criou a mulher. Esse bem conhecido relato da criação está escrito na Bíblia. Já no início do livro de Gênesis, palavra que significa “geração”. Eu sei que há os que não creem na Bíblia e, ainda, os quem não creem em Jesus Cristo. Isso, todavia, é outra história e não me interessa. Não é e nunca foi minha intenção convencer a quem quer seja. Quero tão somente, de forma simples, dizer que eu creio. Cada um é livre para isso. Celebremos e defendamos essa liberdade.

 

Celebremos, além da liberdade, a poesia, que embeleza a vida, como comunicação alegre (às vezes, triste também, claro) daquilo que trazemos no coração. Deslumbrou-se Adão diante de sua companheira, daquela que, para sempre, seria a sua ajudadora fiel, e não ficou calado: celebrou e expressou com poesia o seu sentimento. A Bíblia, portanto, já no começo tem um poema de Adão para a sua amada. O relato do homem embevecido, a celebrar a mulher, está escrito no capítulo 2, parte “b” do versículo 23, do livro de Gênesis: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos / e carne da minha carne; / chamar-se-á varoa, / porquanto do varão foi tomada.”

 

Foi a primeira fala do homem registrada na Bíblia. E, atente para isto, já foi um poema. “O primeiro poema do homem, sua única frase registrada antes da queda, celebra o parentesco e companhia de sua esposa”, diz a nota textual dessa bela passagem na Bíblia de Estudo de Genebra, publicação oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil e por conseguinte uma das minhas Bíblias preferidas, pois sou presbiteriano. O homem celebrou com poesia, na primeira frase que ficou registrada antes da queda, a chegada de sua ajudadora fiel – mais que isso, da sua metade. O homem, sem a mulher, é incompleto.

 

De forma simples, mas solene, foi Deus quem celebrou o primeiro casamento, selou e abençoou a união do homem e sua mulher, como está escrito no versículo 24 do citado capítulo 2 de Gênesis: “Por isso, o homem deixa pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” É linda e muito profunda essa passagem. Eu acho! Foi Deus quem disse que não é bom que o homem esteja só. Nem a mulher também, claro. A história prossegue. E vieram, como se sabe, a queda e a terrível sentença de morte, a morte física, que será precedida de uma vida dura, de labor, suor e sofrimento. O ser humano já nasce chorando.

 

Em resumo, foi assim. Mas o ser humano, coroa da criação, não poderia acabar tão tristemente. Veio também, após a queda e a terrível sentença, o protoanúncio da boa-nova de salvação. Deus não deixaria sua criação abandonada. Na plenitude dos tempos, enviaria Jesus Cristo, seu único Filho, para que, morrendo e ressuscitando, vencesse para sempre a morte e resgatasse a criação caída. E o homem continuou a dizer poeticamente: “Tu és toda formosa, querida minha, e em ti não há defeito” (Cântico dos Cânticos de Salomão, capítulo 4, versículo 7). Viva a união do homem e sua mulher!

Valdinar Monteiro de Souza
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 05/07/2026
Alterado em 24/09/2026


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