É Covid? Ou é covid?
Covid é nome feio. Aliás, pode até não ser tão feio, mas creio que, como a mim, ainda causa e continuará a causar medo, repulsa, desconforto – ou sei lá que nome se queira dar ao sentimento diante da coisa – a muita gente. Logo, o leitor deve pensar que eu deveria cuidar de outras coisas e não falar disso, não falar de algo tão desagradável. Calma! Nem de doença eu gosto.
Vou tratar de assunto bem agradável, de coisas da nossa linda e amada língua portuguesa. “Como assim?”, mais uma vez, o leitor deve pensar e se perguntar. E eu, também mais uma vez, lhe peço que mantenha a calma. Calma! É, sim, sobre gramática. Quer dizer, é sobre a grafia de nomes de doença como o indigitado acima, se se escreve com inicial maiúscula ou com minúscula.
Muitos têm dúvida se a inicial desse e de outros nomes da mesma laia, quer dizer, de doença, é maiúscula ou é minúscula. E muitos outros não têm essa dúvida e mandam logo a inicial maiúscula em palavras como covid e aids, que se formaram como siglas. É um erro, todavia, do ponto de vista da gramática normativa, escrever tais nomes com inicial maiúscula, exceto, evidentemente, no início de frase ou título. Acabo de ler o artigo de um grande jornal brasileiro no qual o articulista, indevidamente, escreveu com inicial maiúscula.
A explicação é que nome de doenças, assim como nome de princípio ativo de medicamento, é escrito com inicial minúscula e, não, com maiúscula. A gente deve, portanto, escrever covid, aids, e assim por diante, salvo, como já foi dito, início de texto ou, ainda, depois de ponto. Mas, é sempre assim, com minúscula? Não. É evidente que não. Há exceção ou, melhor dizendo, exceções. Em tudo ou quase tudo, há exceções. Não é mesmo?
Pois bem, leitor. Se o nome da doença é uma expressão que contém nome próprio, este é escrito com inicial maiúscula, como, por exemplo, doença de Alzheimer, doença de Sjögren (ou síndrome de Sjögren, como é mais conhecida), e assim por diante. A mesma regra de grafia vale para o fármaco, ou seja, para o princípio ativo de medicamento. E, outra coisa, quanto à expressão mal de Alzheimer, esclareça-se que é muito popular, mas não é técnica. Não é mal, é doença.
Encerrando, lembrei-me de citar a minha crônica “Ficou pinel”, escrita e publicada em 2009 e, anos depois, em 2015, no meu livro A Despedida do Palacete. Por quê? Porque, na expressão ficou pinel, palavra pinel, conquanto venha do sobrenome do famoso psiquiatra francês Philippe Pinel, virou popularmente um sinônimo de louco e perdeu, por isso, o sentido de nome próprio. Como sempre, coisas belas da língua.
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 13/05/2026
Alterado em 14/05/2026