A avareza, o coração e as riquezas
“Escrever de novo as mesmas coisas não é um problema para mim e é segurança para vocês”, diz a parte final do versículo 1 do capítulo 3 da Carta de Paulo aos Filipenses, na edição Nova Almeida Atualizada da tradução da Bíblia por João Ferreira de Almeida. Amei a deixa, uma vez que gosto de ser repetitivo, bem sabe o meu leitor. E, por conseguinte, já falei anteriormente (para ser exato, na crônica “Felicidade é vida em plenitude”, de julho de 2000) de parte do que falarei rapidamente agora.
“Porque qual será a esperança do hipócrita, havendo sido avaro, quando Deus lhe arrancar a sua alma?”, diz o capítulo 27, versículo 8, do livro de Jó, na edição revista e corrigida da mesma tradução de Almeida. Em outras palavras: “Porque qual será a esperança do ímpio, quando lhe for cortada a vida, quando Deus lhe arrancar a alma?”, diz a versão revista atualizada no Brasil. São palavras diferentes, mas a análise aprofundada de ambas as versões não deixa dúvida de que se trata da condenação do apego à riqueza, da condenação do amor do dinheiro.
Pois bem. É hipocrisia negar a importância dos bens materiais para a vida, mas é futilidade e loucura focar a atenção tão somente neles e negligenciar valores e bens existenciais ou não patrimoniais. O ser humano necessita de bens materiais para viver dignamente, o que significa satisfazer às necessidades básicas de alimentação, moradia, transporte, educação, lazer, sem prejuízo das demais. A vida, porém, não se resume a isso. E, por outro lado, existem os que só pensam em dinheiro e bens materiais para si. Não faz muitos dias, vi uma mulher, gabando-se orgulhosamente do seu dinheiro, dizer que um lustre da sala da casa dela vale mais do que um carro de luxo. Palestrou durante quase uma hora, mas não disse uma palavra sequer sobre ajudar os necessitados. Vergonha alheia! Que tristeza!
Existem pessoas que só pensam em bens materiais: dinheiro, patrimônio e, por meio destes, poder. Dormem e acordam pensando em riquezas. A princípio, é lógico, o querer amealhar e acumular riquezas não é problema em si, o problema está na motivação. É aí que a coisa se complica, pois, não muito raramente, tais indivíduos são egoístas ao extremo e, por conseguinte, não se preocupam com o semelhante. Como diz o vulgo, não estão nem aí. Miserável aquele que só tem dinheiro! Ai do que só tem dinheiro, pois não passa de um ser infeliz e miserável.
O dinheiro é bom? Sim, é bom e é bênção, O amor do dinheiro, porém, que é avareza, tem terríveis consequências. Sei que existem os que não temem a Deus e não acreditam no que chamam de essa história de pecado. Tudo bem, não quero e não vou discutir isso. O problema é dos tais. Tenho, contudo, a convicção de que não é bom que seja assim. Tudo não acaba aqui, como muitos pensam e dizem. Se assim fora, seria muito inglório. Não tem sentido o não pensar na vida futura após a morte, não obstante haja quem diga que a eternidade não existe. Mas isso é questão de fé e, repito, não vou discutir.
Jesus ensinou, na parábola do rico tolo, que é terrível ajuntar tesouros para si mesmo e não ser rico para com Deus. E o que é a riqueza para com Deus? Uma das características dela, não resta dúvida, são boas obras, fruto da fé e, por conseguinte, da salvação. E dentre as boas obras está o cuidar do próximo, estando este em necessidade, que não pode ser negligenciado. A Bíblia diz que tudo pertence a Deus. Nada do que temos é nosso. É Deus quem dá ou, antes, quem confia, a este ou àquele, isto ou aquilo. “Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão”, diz a parte final de O Evangelho Segundo Lucas, capítulo 12, versículo 48.
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 22/04/2026
Alterado em 24/04/2026