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Textos

O juramento de fidelidade e as críticas diversas

 

Lendo, em 22 de março próximo passado, o livro The Treasury of Quotes (O Tesouro das Citações), de Jim Rohn, chamou bastante minha atenção a frase: “The Pledge of Allegiance starts with ‘I’ and ends with ‘all’” (“O Juramento à Bandeira começa com ‘eu’ e termina com ‘todos’”), referente ao juramento à bandeira dos Estados Unidos, e pensei logo em escrever uma crônica. Deixando, porém, para mais tarde, acabei me esquecendo. Hoje, avistando o livro na estante, lembrei-me do que pensara em escrever naquele dia e terminara não escrevendo. Resolvi escrever hoje, mas enveredando, propositadamente, por outros caminhos. Só para não cair no esquecimento.

 

A Bíblia diz que não se pode jurar temerariamente. Está escrito, por exemplo, em Mateus, capítulo 5, versículos 33 a 37, e capítulo 23, versículos 16 a 22. Também no livro de Tiago, capítulo 5, versículo 12, sem prejuízo de outras passagens do Antigo Testamento. Em suma, porém, o que a Bíblia proíbe aí é o jurar falsamente ou, ainda, o juramento desnecessário. Não quer dizer jamais que não devemos fazer juramentos legais, por exemplo. Não é disso, todavia, que eu quero falar ligeiramente aqui. Meu objeto e meu objetivo são outros. Quero falar de expressões inglesas que julgo bem interessantes e criticar – acidamente – quem faz crítica tola.

 

As expressões inglesas “oath of allegiance” e “oath of love” designam, sim, um juramento expresso. Mas elas são sinônimas? Não, elas não são sinônimas, embora ambas sejam traduzidas em português por “juramento de fidelidade”. E, assim, são empregadas em contextos diferentes. “Oath of allegiance” é um juramento formal de fidelidade feito em contexto de cidadania ou de obrigação legal. Como, por exemplo, o juramento à bandeira. É uma fidelidade cívica. “Oath of love” é, por sua vez, um juramento de fidelidade num contexto pessoal não cívico, num contexto romântico, como faz ver a palavra “love” que o compõe. Fidelidade amorosa, entre marido e mulher, por exemplo.

 

Também se emprega a expressão “oath of loyalty” para juramento formal, ou seja, quase equivalente à expressão “oath of allegiance”, conquanto seja menos formal do que esta, prestando-se mais para contextos formais privados. São coisas da língua. Amo estudar essas particularidades. Há, evidentemente, quem não goste. Sem problema, respeito. O que não vale é a crítica feita tolamente, apenas por se tratar de expressões inglesas ou, ainda, quando for o caso, por se tratar de expressões latinas ou gregas. Esse tipo de crítica eu ignoro, pois é tola e não tem sentido. Estultícia é estultícia. E como estultícia deve ser tratada.

 

Escrevo sobre palavras e expressões inglesas porque sou estudante de licenciatura em Letras – Português e Inglês, não obstante ainda tenha que estudar e praticar muito para me tornar fluente na língua de Shakespeare. Não o faço só para mostrar erudição ou, ainda – o que seria muito pior –, não o faço sem conhecimento, sem saber o que estou fazendo. Faço sabendo o que faço, dentro do contexto em que o faço, inclusivamente praticando e exercitando o meu aprendizado. Crítica tola serve tão somente para quem a faz, se fizer. Lixo vai para o lixo.

 

Se gosta do assunto, usufrua. Se não gosta ou não entende, não faça crítica desarrazoada, fique na sua. Eu critico, por exemplo, quem – principalmente, na área jurídica – emprega expressões latinas por mero psitacismo, sem realmente saber o que fala ou escreve. Isso, sim, merece crítica. Se sabe e cabe no contexto, use. Se não sabe ou não está no contexto, não use. Agora, crítica tola, feita por simples psitacismo de quem não sabe o que diz, é lixo. É atentado contra a honestidade intelectual alheia. Se não sabe, vá estudar, ó psitacídeo!

Valdinar Monteiro de Souza
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 15/04/2026
Alterado em 15/04/2026


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