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Um tirambaço no medo da vida

 

Tirambaço. Não conhecia, confesso. É a primeira vez que vejo a palavra. Primeiro, a li na crônica enviada pelo amigo virtual Antônio Torres, imortal da Academia Brasileira de Letras que dispensa apresentações. Logo depois, embora, pelo contexto, já houvesse entendido o significado, a li no Dicionário brasileiro de língua portuguesa, versão on-line do dicionário Michaelis, o qual, sem antes deixar de informar abreviadamente que se trata de palavra da crônica futebolística, assim a define: “Chute muito forte, geralmente dado em direção ao gol.”

 

Pronto. Não sabia, mas agora sei. Tirambaço, também dito tirombaço, significa chute forte, mas pode também ser empregado, metaforicamente, com o sentido de pancada ou algo muito forte, muito intenso. Foi o caso do emprego dado por Joaquim Ferreira dos Santos na crônica “Amêndoas assassinas”, publicada no jornal O Globo, referindo-se à amêndoa que lhe caíra no dorso da mão direita. Além disso, a palavra pode ser empregada com o sentido de tiro mesmo, disparo de arma de fogo.

 

É claro que achei o máximo e fiquei muito grato. Não poderia, portanto, deixar de escrever uma crônica, como agora faço, até porque a crônica de Joaquim Ferreira dos Santos me remeteu à crônica “Fala, amendoeira”, de Carlos Drummond de Andrade, a qual fiz questão de reler. Assim começou minha segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026. E não poderia ser melhor. Eu acordara meio deprimido e muito preocupado com as minhas obrigações acadêmicas do curso Letras, que, graças a Deus, estou concluindo.

 

Deprimido? Sim, deprimido. Isso me acontece de vez em quando, até com mais frequência do que se possa imaginar. Já sofri depressão, em 2010 ou 2011, sei lá, por causa do problema cardíaco. E, assim, embora tenha saído eficazmente da crise daquela época, tenho que ficar vigilante, pois, volta e meia, a coisa terrível quer voltar. Repilo com veemência. Refugio-me em boas leituras, da Bíblia e de outras obras, na oração e, além disso, acreditem, nos chás da Herbalife (chá verde e N-R-G), que eu consumo diariamente no café da manhã. É tiro e queda. A coisa feia vai embora!

 

Hoje, não foi diferente. A Câmelha saíra para o trabalho e eu ficara em casa, momentaneamente deprimido, com medo da vida. Corri, como sempre faço, para meus antídotos. Tomava o primeiro chá (no caso, N-R-G) quando abri o celular e lá estava, no WhatsApp, a bela crônica que me enviara o amigo. Que maravilha! Fui às leituras já mencionadas. A ameaça de depressão, que esmaecia, dissipou-se de vez no ar: esvaiu-se, foi embora! E aqui estou, feliz, escrevendo a crônica (que nem imaginara escrever), antes de acudir às atividades acadêmicas. Muito obrigado, meu amigo imortal Antônio Torres! Foi um tirambaço no medo da vida.    

Valdinar Monteiro de Souza
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 23/02/2026
Alterado em 06/03/2026


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