Recanto Literário

Qual o proveito das flores postas somente sobre o caixão? Têm mais valor as que são dadas em vida.

Textos

Lembranças e observações de um flâneur

 

Ontem, dia 16 de fevereiro de 2026, em companhia da Câmelha, da Edina Brandão e da Verônica, amiga delas (que espero venha a ser minha amiga também), fui à Casa Nativa, onde ficamos até as 22 horas. Gostei muito. A Casa Nativa, para quem ainda não sabe, como eu não sabia, é um ambiente cultural e ponto de encontro de intelectuais de Marabá. Sabe aquela história de saber com quem anda e, por conseguinte, aonde vai? Pois é. “Birds of a feather flock together”, já diz o ditado.

 

Dentre os intelectuais que lá estavam ontem, quero ressaltar a Professora Doutora Nilsa Brito Ribeiro, que, em 2014, prefaciou o meu livro Revista e Jornal: crônicas escolhidas e, em 1997, já fora minha chefe na Universidade Federal do Pará, e o Professor Doutor Jorge Luís Ribeiro, que, hoje professor de Direito da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, antes foi meu colega de trabalho na Câmara Municipal de Marabá. É muito bom rever os amigos.  

 

Café, cultura, artesanato, o local é aberto de segunda a sábado, das 15 às 22 horas. E ninguém tenha dúvida, pelo que vi e já ouvi, vale a pena ir à Casa Nativa, imagino que, notadamente chegando ao entardecer do dia a dia, para ouvir músicas, tomar a bebida preferida e se divertir. Simples e saudável, o lugar exala cultura, que inspira e faz sentir bem. Bom, eu achei o máximo. E, acredite, não estou sendo remunerado para fazer a propaganda. O entardecer lá, meio bucólico, deve ser lindo!

 

Lembrei-me ontem de que, como sempre fui um flâneur (o galicismo é propositado pelo sentido literário), no passado, quando eu morava na Nova Marabá, passei muitas vezes por aquele local, passeando a pé, a observar, maravilhado, o bucolismo que começava na Folha 17 e se acentuava até o limite com a Folha 10, no lindo bosque do então Campus II da Universidade Federal do Pará, área verde que antes fora do Projeto Rondon. Andei muito por ali, sempre pela manhã ou à tardinha. Puxa vida, que saudade!

 

Era à noite ontem. Eu, contudo, saudoso e calado, enquanto ouvia música e observava as pessoas a dançarem, voltei no tempo! O lugar é o mesmo, embora naturalmente tenha passado por algumas modificações. Quem mudou muito mesmo fomos nós, as pessoas. A instituição de ensino mudou de Universidade Federal do Pará para Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, mas o campus universitário, conquanto bem mais urbanizado, continua lá, lindo, cheio de árvores. E a Folha 17, sem dúvida, está mais bela ainda. Valeu a pena o passeio!

Valdinar Monteiro de Souza
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 17/02/2026
Alterado em 18/02/2026


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