Ouvir é amar
Nas mãos, a Bíblia na versão Nova Almeida Atualizada (NAA). À minha frente, o livro Calendário filosófico: para viver melhor, de Gabriel Chalita. Na mensagem do dia 10 de fevereiro, apenas três palavras: “Ouvir é amar.” Calou fundo e guardei para escrever uma crônica, o que agora faço. Ouvir é amar, mas amar é cuidar, como cuidar é amar. Quem ama ouve, não sufoca, mas também não abandona: cuida. Eu quero sempre amar e ser amado, conquanto eu saiba que isso não é fácil. Nunca foi fácil. Se eu amo, eu cuido. Se sou amado, sou cuidado.
Não é só isso. Ouvir é um gesto de respeito, de moderação e dá segurança para responder corretamente. Para responder ou para calar. Sim, isso é bíblico, pois está escrito: “Responder antes de ouvir é tolice e vergonha” (Pv 18.13, NAA). É preciso primeiro ouvir e só depois responder. Ou calar. Como também é bíblico que tudo tem o seu tempo, há “tempo de ficar calado e tempo de falar” (Ec 3.7b, NAA). Pronto. Para mim, isso é suficiente. E não há problema se para quem me lê não é.
Questão de fé. Bem sei que nem todos creem na Bíblia como a inerrante revelação de Deus, fonte de vida e guia de fé e prática. Respeito, sem problemas, quem assim não crê. É obrigação respeitar, é regra da civilidade. Penso, todavia, que nós, os que cremos, merecemos ser respeitados. A regra é a mesma. No mundo civilizado, não há lugar para arrogância e discriminação, seja de quem crê, seja de quem não crê. Existe, porém, arrogância e discriminação até entre os que creem. Não deveria haver, mas há.
Cada um é responsável por sua crença ou descrença e, crendo ou descrendo, deve pesar e sopesar as próprias convicções ciente dessa responsabilidade. O apóstolo Paulo, ao escrever aos cristãos de Filipos, deixa bem claro o sentimento que deve nortear a relação entre eles: “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, não tendo em vista somente os próprios interesses, mas também os dos outros” (Fp 23-34, NAA).
Nada disso, porém, é fácil. Seria hipocrisia dizer que é. Não é, mas, embora seja difícil de viver e praticar, é necessário. É por isso que eu concordo com Gabriel Chalita que ouvir é amar, porque ouvir leva a compreender. Compreender leva a concordar ou, se for o caso, a discordar. Sim, discordar quando preciso, mas com convicção e respeito. Ouvir leva a enxergar a justiça da causa do outro. Finalizo com uma frase do Padre Zezinho, da qual gosto muito: “Só é grande quem admite a grandeza dos outros.”
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 12/02/2026
Alterado em 15/03/2026