No poder das palavras de um calendário filosófico
Hoje são 3 de fevereiro e por isso a crônica é sobre um calendário, um calendário especial. Não sei quantos livros de crônicas de outros autores eu possuo. Só sei que são muitos. Ainda vou contar, mas são muitos e de cronistas diversos: Machado de Assis, Rubem Braga, Carlos Heitor Cony, João Ubaldo Ribeiro, Ana Miranda, Moacyr Scliar, Mário Prata, Xico Sá, Ivan Angelo, Manoel Carlos, Humberto Werneck, Luís Henrique Pellanda, Vitor Hugo Martins, Ana Valéria Fink, Divaldo Suruagy, José Sarney, Rubem Fonseca, Rubem Alves, Jorge Amado, Martha Medeiros, Fabrício Carpinejar, dentre outros. Hoje, contudo, quero falar ligeiramente de outro tipo de livro.
Um livro em forma de calendário. Interessante, não é? Um calendário que é um livro. “As folhas caem das árvores. Caem diferente nas diferentes estações. Quem comanda o tempo da permanência e o tempo do descansar na terra?”, diz Gabriel Chalita. Sabe onde? Na apresentação de seu livro Calendário filosófico: para viver melhor, obra publicada em 2023 pela Editora Senac Rio. Já fiz citações dele em outras crônicas. O livro é um calendário, de 1 de janeiro a 31 de dezembro de um ano comum, ou seja, não bissexto, com uma folhinha e uma mensagem filosófica para cada dia do ano.
“Calendário filosófico: para viver melhor é um convite que a filosofia nos faz”, diz o autor, no quarto e penúltimo parágrafo da curta – mas densa e profunda – apresentação. Apaixonei-me pela obra, porque ela é apaixonante para quem ama a vida e suas belezas independentemente das circunstâncias. Não poderia ser diferente. É uma obra filosófica, mas, de forma simples e cativante, canta as belezas da natureza e de uma vida consciente e agradecida.
É muito bom contemplar as coisas simples da natureza e da vida, as quais, na realidade, não são coisas simples. Nada é simples como muitas vezes se parece à primeira vista aos afoitos de plantão: tudo é muito complexo, embora não necessariamente tudo seja complicado. A vida não é simples, mas é linda, a despeito de ser tão passageira e, não raramente, muito sofrida. Como diz bela e sabiamente a mensagem do dia 3 de fevereiro: “Há brotos que renascem de improváveis dias, depois de insuportáveis noites.” Irretocável.
A obra é maravilhosa. Porque é simples e fala das coisas da vida de forma simples, bela e cativante. “Amar é criar espaços para o outro florescer”, mensagem do dia 7 de junho. Há mais, muito mais, até dia 31 de dezembro. Vivamos (sem pressa), porque cada dia é cada dia. Vivamos com amor, amor e ética (sem pressa). Pressa para quê? E por que, se inexoravelmente, queiramos ou não, a vida vai e se esvai? Voltemos, porém, ao quarto e penúltimo parágrafo da mensagem, para fecharmos com o poder da palavra. Claro, a palavra de Chalita: “No poder das palavras, moram aconchegos e moram decisões.”
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 03/02/2026