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Qual o proveito das flores postas somente sobre o caixão? Têm mais valor as que são dadas em vida.

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Navegar é preciso: o barco a cumprir seu destino

 

“O barco voltou a cumprir seu destino”, assim começa a mensagem de hoje, primeiro de fevereiro, no Calendário filosófico: para viver melhor, de Gabriel Chalita. Lembrei-me só agora de mudar a folha e ler a mensagem do dia do livro em forma de calendário, me esqueci de fazer isso, como sempre faço, de manhã. Hoje, domingo, almocei já bem tarde e depois dormi muito e profundamente. Deitei-me às quinze horas, dormi logo e só acordei às dezessete e muito, quase às dezoito horas, mas ainda com tempo para contemplar o entardecer banhado de sol.

 

A tarde estava belíssima e me convidava a tomar um gostoso cafezinho coado na hora e sorvido, gole a gole, olhando o morrer do sol nas árvores do quintal, sob o alegre e deleitável cantarolar dos passarinhos, como gosto de fazer. É muito agradável, tanto ao nascer quanto ao pôr do sol, tomar um bom café coado na hora. No meu caso, já faz alguns anos, substituí o café pelo chá da Herbalife. Tomo gelado, é muito saboroso e tira a sede, mas pode ser tomado morno ou quente, ao gosto de cada um. O cafezinho, contudo, continua a ser um ato poético.

 

Lembrei-me, momentaneamente, dos tempos de criança, quando, em situações como esta, acordava pensando que tinha dormido, sem parar, a noite inteira e já estava no outro dia. Isso me aconteceu várias vezes. Coisas de criança, que, tais quais as coisas das demais fases da vida, o tempo se encarrega de levar para não sei aonde, deixando-nos tão somente a saudade. A vida passa e a fila anda, queira-se ou não, rumo ao instante que será o último, imprevisível e indesejado, mas inexoravelmente certo.

 

O barco volta a cumprir sua finalidade, a de navegar pelas águas do mar da vida, cheio de estações, ilusões, lutas e desafios. Cada um de nós tem o seu mar, que ora é calmo e sereno, ora é tempestuoso e assustador. Ontem, dia 31 de janeiro de 2026, fiz minha matrícula no último semestre da licenciatura em Letras – Português e Inglês. Em breve, começarão as aulas e, por conseguinte, a correria de sempre. “Navigare necesse; vivere non est necesse”, já dizia – segundo dizem – Pompeu.

 

Tudo bem. Sei que você não gosta do latim – aliás, mais do que isso –, o odeia. Deixemos, portanto, o general romano e recorramos ao poeta português. Fernando Pessoa, sem omitir que se trata de uma frase alheia e, propositadamente, trocando “necessário” por “preciso”, assim deixou traduzido: "Navegar é preciso; viver não é preciso." Retomemos, pois, para encerrar, a mensagem do Calendário, agora completa: “O barco voltou a cumprir seu destino. Sou destinado a banhar de esperança os cascos da minha embarcação. Se um dia desisti, no outro reaprendi.”   

Valdinar Monteiro de Souza
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 01/02/2026
Alterado em 02/02/2026


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