Dezembro: vai-se o ano, os sonhos continuam
Hoje são 4. Dezembro chegou com todo o seu enlevo e a cidade está enfeitada. Na Praça São Francisco, Cidade Nova, por exemplo, como vem acontecendo todos os anos, já se veem os preparativos para o Natal Encantado, a comemoração proporcionada ao público, durante vários dias, pela Paróquia São Francisco de Assis, da Igreja Católica. Discussões teológicas à parte, amo a comemoração do Natal! A música típica nos estabelecimentos comerciais, as ruas e demais logradouros públicos coloridamente iluminados, tudo transmite harmonia, alegria e paz. Isso, contudo, é muito pessoal e depende do que subjetivamente alguém queira ver.
O ano é mera convenção, este se finda e o outro vem. Quase tudo para, e os projetos que não se concretizaram são adiados. A vida, porém, continua com fé e muita esperança. É tempo de parar e refletir, analisar o que foi ou não foi feito e, se for caso, corrigir o que possa e deva ser corrigido, mas, acima de tudo, confraternizar, viajar, passear, rever lugares, parentes e amigos, pôr a leitura em dia, lendo os livros da pilha formada ao decorrer do ano. E, para quem crê, é tempo, principalmente, de agradecer, louvar e adorar a Deus. Em matéria de religião, há muito, já não tenho tempo para discussões do não essencial nem me interesso por elas.
“Os anos corrompem o sonho”, diz um verso do poema “A menina do retrato”, de José Sarney, que reli agora, no livro Saudades mortas. É comum, com o correr dos anos, mudar de ideia e abandonar sonhos que já não valem a pena ser sonhados, porque, corrompidos ou não, perderam o sentido. A gente muda muito e se transforma, passa a pensar diferentemente. Veja-se, a propósito, a letra da música “A Lista”, de Oswaldo Montenegro. Você, por exemplo, ainda sonha seus sonhos de quando era criança, adolescente e jovem? Muitos deles, evidentemente, não.
Aliás, a desistência de sonhos e projetos ao longo da vida, em face da maturidade que nos transforma o modo de pensar e de ver as coisas, também é bíblica, o que, evidentemente, só interessa a quem crê. Disse o apóstolo Paulo, em carta aos cristãos de Corinto: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino” (1Co 13.11). Com efeito, crer ou não crer, neste caso, é irrelevante. Não é nem um pouco razoável discordar de que homem pensa diferentemente de menino. Tudo isso, entretanto, nada tem que ver com o Natal. Ou tem.
“As folhas caem das árvores. Caem diferente nas diferentes estações. Quem comanda o tempo da permanência e o tempo do descansar na terra?”, escreve Gabriel Chalita na apresentação de seu livro Calendário filosófico: para viver melhor. É isso. Chegou dezembro e vem aí o Natal! Confraternize, leia, viaje para visitar e rever parentes e amigos, faça aquela viagem cultural de seus sonhos, alegre-se, descanse e viva. O ano que vem, para quem estiver vivo, será mais um ano e terá também a própria história.
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 04/12/2025
Alterado em 05/12/2025