Recanto Literário

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Textos

Perdeu o GPS da realidade

 

“É mais um que perdeu o GPS da realidade.” Exatamente isso aí, ou coisa mais ou menos assim, parecida. Sei lá, só sei que gostei. Expressão que ouvi um dia desses (aliás, uma noite dessas) no YouTube. Infelizmente, nem sequer marquei, para dar o devido crédito. Mas, confesso que gostei. E, lógico, pensei logo em escrever uma crônica (o que faço agora). Às vezes, gosto dessas coisas. Sabe? Acho (acho, não: penso; pensar é diferente de achar), penso que vale a pena uma reflexão. Então, vamos lá.

 

Alguém sabe o que é GPS? Muitos não sabem (mas dizem, usam). Bom, saber, muitos até sabem o que é essa coisa, mas não sabem o que significa cada letra da sigla, que, aliás, chegou de uma hora para a outra e, inteiramente à nossa revelia, ficou. Já faz tempo que está aí, de boca em boca, feito batom. Todos a usam, conquanto não saibam o que realmente é, o que realmente significa. Só sabemos que é aquela coisa que nos guia e leva ao endereço que desconhecemos. Às vezes, erra grosseiramente e acaba levando aonde jamais deveria levar! Isso, todavia, é outra história.

 

Sou curioso e fui pesquisar. Pesquisei e aprendi. Não gosto de sair por aí, a repetir algo cujo real significado desconheço. Não sou psitacídeo. Vamos lá. É G, de global; P, de positioning; S, de system. Inglês, como não poderia deixar de ser. Por que é que no Brasil, país de língua portuguesa, não se diz SPG? S, de sistema; P, de posicionamento; G, de global. Em vez de Global Positioning System – GPS, Sistema de Posicionamento Global – SPG. Por que não? Lógico, a síndrome de vira-lata não deixa. Só pode ser, não há outra explicação. Penso.

 

Voltemos, contudo, à frase do início: “É mais um que perdeu o GPS da realidade.” Achei o máximo, confesso. Agora, sim, é “achar” mesmo (porque a expressão assim já se cristalizou). Se mudar o verbo, perde o sentido. E a graça também.  “Perder o GPS da realidade” – penso – é perder a noção das coisas. Pior do que isso. É perder a noção de ridículo, como, por exemplo, em pleno século XXI, aderir ao terraplanismo. Que vexame! Não, não dá. Não é mesmo? Eu penso. Cada um, porém, é livre para viver sua loucura, desfaçatez, sem-vergonhice, ou coisa que o valha.

 

O brasileiro, talvez mais do que os outros povos de língua portuguesa, é mesmo dado a essas extravagâncias. Pouco importa se o GPS se tornou mundial, cosmopolita, ou sei lá o quê. Existem inúmeros outros casos explícitos de subserviência descarada, escancarada. Coisas de quem perdeu o GPS da realidade mesmo. É mole? Confesso que, só de gozação, já me dá vontade de escrever, em vez de GPS, “gepeesse”. É! Pelo menos, daria uma vaga ideia de vernáculo. Mas isso é só de brincadeira, para tirar onda mesmo.

Valdinar Monteiro de Souza
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 19/11/2025
Alterado em 20/11/2025


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