Recanto Literário

Qual o proveito das flores postas somente sobre o caixão? Têm mais valor as que são dadas em vida.

Textos

Alucinação artificial, os erros de IA

 

 

Ele chega a me perdoar expressamente, escrevendo: “Bem, não confirmou o erro referente ao que o nobre amigo acaba de nos alertar, mas isso é o de menos, e por mim estás perdoado.” Aceito o perdão e por ele lhe agradeço. Só mesmo pela sua intenção, pois não cometi falha alguma, a não ser a de não ter feito uma captura de tela do computador (screenshot, erroneamente chamada de print) para ilustrar a crônica e, ao mesmo tempo, fazer prova da minha afirmação. Refiro-me ao comentário inteligente e muito simpático do leitor Dilucas, à minha crônica “Vá confiando no Google, vá!...”, a mais recente das publicadas.

 

Dilucas, pelo visto, não sabia e, ao que me parece, também não acreditou que, às vezes, a inteligência artificial, a já todo-poderosa IA, inventa informações e dá respostas erradas ao consulente. Pois bem, meu caro Dilucas, isso ocorre até com certa frequência, dizem os doutos, de forma que o tal fenômeno tem até nome: alucinação artificial. Não é sem razão que, abaixo das respostas, aparece a advertência que, certamente, passa despercebida para muitos leitores: “As respostas da IA podem conter erros. Saiba mais.” Coisas da vida, não é mesmo? “Pois, pois!”, diria o português.

 

Para citar aqui apenas mais uma fonte sobre isso, lembro que Caroline Ferreira, da CNN Brasil, é autora da reportagem “Alucinação: entenda por que e como chatbots de IA podem dar respostas erradas”, publicada em 24 de outubro de 2024. Ora, pois, vamos e venhamos. Já pensou no choque anafilático de um organismo cibernético?  O menino, acometido da febre lunar, faleceu, e, de luto, o seu robozinho de estimação resolveu que, para si, continuar existindo já não teria sentido. E, apaixonado, se autodestruiu. Explodiu e morreu! Refiro-me à minha crônica “A paixão do robô”.

 

Complicou? Complicou nada. É que sou fascinado por direito robótico, pós-humanidade e ficção científica, dentre outros assuntos igualmente palatáveis, não necessariamente nesta ordem. Pena que a vida seja tão curta! Mas – é lógico – coisas como esta e suas similares só existem mesmo em cabecinhas ocas como, por exemplo, a minha e a de Rubens Teixeira Scavone. Ou não! Ah, para quem não sabe, Scavone, escritor da Geração GRD, foi contista e romancista famoso, além de jurista e fotógrafo. Recomendo, a propósito, a leitura de seus contos de ficção científica. “Paga a pena”, como diria Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho. Que também escreveu ficção científica.

 

Útil e, por isso mesmo, muito bem-vinda, a inteligência artificial é irreversível. Veio para ficar. Embora eu ainda não a use, já penso em usar. Em breve, quem não souber usar a inteligência artificial será mais um excluído e passará por muitas dificuldades, tal qual nos dias de hoje passa a pessoa que não sabe usar a internet, ou mesmo quem não sabe ler. É preciso, todavia, muita vigilância. Na área jurídica, por exemplo, já houve casos de sentença de juiz e de petição de advogado nas quais, involuntariamente, foi usada jurisprudência falsa inventada pela IA, o que chamamos de jurisprudência alucinada (por ser fruto da alucinação artificial).

Valdinar Monteiro de Souza
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 05/11/2025
Alterado em 05/11/2025


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