A Dad Squarisi era dez!
Amante da gramática normativa, gosto de ler Dad Squarisi, a elegante letróloga do Correio Braziliense. Acabo de reler na internet, por exemplo, esta sua tirada publicada em 30 de junho de 2020: “Recife tem privilégios com o artigo. A capital dos pernambucanos pode ou não vir acompanhada do pequenino. A alternativa é acertar ou acertar: Fui a Recife. Fui ao Recife. Moro em Recife. Moro no Recife. Visitei Recife. Visitei o Recife.” Dad, que faleceu em 10 de agosto de 2023, era dez! Ela era dez, com elogios.
Escrevo letróloga por gostar da palavra letrólogo, que muita gente ainda desconhece e pensa que nem existe. Existe, sim, e já está, bonitinha, lindinha, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, o Volp, da Academia Brasileira de Letras, que eu amo (a ambos, o Vocabulário e a Academia). As pessoas precisam aprender a gostar – mais do que isso, a amar – a nossa língua e a consultar frequentemente, a usar o Volp e os bons dicionários. Amo dicionários e também gramáticas! Para mim, ler gramática e ler dicionário é sempre muito deleitoso.
Aqui, como letrólogo, preciso, evidentemente, acalmar os mais afoitos, apressadinhos e mal-amanhados que por não saberem gramática a hostilizam e demonizam. Como diz o bordão do humorista: “Calma, calabreso!” Calma, calma. Já ensinava o inexcedível Rui Barbosa: “Abusos não absolvem abusos.” A gramática é apenas uma das partes da linguística, a qual é o todo, muito maior. É preciso amar e tentar conhecer o todo, sem menosprezar parte alguma dele. O todo sem qualquer das partes já não é todo, por mais óbvio que isso seja ou possa parecer que seja.
Amo a produção de Dad Squarisi e a de Pasquale Cipro Neto, sem prejuízo da de tantos grandes gramáticos brasileiros. São tantos os tão bons, que não dá para enumerar no espaço exíguo de uma crônica. Pasquale, por exemplo, ensina com galhardia, com elegância na mais profunda significação da palavra. Dá gosto ler as colunas dele, que são crônicas lindíssimas, na mídia escrita, impressa ou virtual, assim como ouvir pelo rádio ou assistir a elas na televisão ou no YouTube.
Para encerrar, digo que não sou contra quem não sabe gramática, mas acho esquisito e critico quem a hostiliza, menospreza e demoniza só porque não a conhece. Foi por isso que restringi acima os mais afoitos, apressadinhos e mal-amanhados que por não saberem gramática a hostilizam e demonizam. É uma referência restritiva, não é explicativa. Lembra-se das orações adjetivas restritivas e explicativas? Pois bem, volte lá, porque isso seria assunto para outra cronicazinha, talvez sem gosto e sem graça. É isso. Fui!
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 07/10/2025
Alterado em 01/11/2025