Meu tececê, de TCC. O quê? Cecê, de CC?!...
Coisas da velha surda da tevê. Estou escrevendo meu trabalho de conclusão de curso da graduação em Letras – Português e Inglês. É o famoso TCC (que, trabalhoso, sempre assusta, incomoda, cansa). Aliás, eu posso, com brincadeira, inovar e escrever “tececê”. Sabia? Posso, sim. É só uma brincadeira, evidentemente. Mas, vai que a moda pega, como, por exemplo, pegou com tevê, de televisão; cecê, de cheiro de corpo. Epa, cecê! Cecê em inglês é body odor ou, no inglês britânico, body odour. Por extenso. Abreviadamente, é BO ou, com pontos, B.O. Logo, em inglês, cecê é biou.
Está vendo? Quanta baboseira! O que, seboseira? Danou-se! Já sei. Talvez alguns leitores, os pudibundos (sim, também sou lido por pudibundos), digam: “Eca, que mau gosto! Eu, hein!” E eu, sem saber para quem, digo: “Ah! Que se dane!” Se quisesse ser um pouco mais leve e ao mesmo tempo praticar um pouco do inglês, poderia dizer: Do not be silly (Não seja bobo)! Ou, ainda, no bom português e em tom de brincadeira: “Ah, larga mão de ser bobo!” Mas, não digo. Levo mesmo é por cima de impuca. Às vezes, eu me chateio mesmo com os pudibundos e seres similares. Haja paciência!
Não é mau gosto, não. Em primeiro lugar, porque essas palavras e expressões existem, e eu, como candidato a professor de inglês, preciso conhecê-las. Em segundo, mas não menos importante, porque é só para descontrair. Não fui eu quem inventou a escatologia ou coprologia. As coisas têm nome, queiramos ou não queiramos. Outra coisa, faz mister dizer aqui que a palavra portuguesa escatologia tem dois significados bem diferentes um do outro, a depender do radical grego de que se origine. Essa escatologia aí não é aquela da linguagem religiosa, é a da linguagem médica.
Escatologia do grego antigo éschatos (ἔσχατος), “fim”, “último”, é empregada na teologia e ciências afins. Escatologia do grego antigo skatós (σκατός), “excremento”, “fezes”, “esterco”, é empregada em ciências biológicas, como a biomedicina, a medicina e também na linguagem comum erudita. Neste caso, é sinônimo de coprologia (do grego cópros (κόπρος), outra palavra para “fezes”, “esterco”, “excremento”). Daí vêm as expressões “exame coprológico” e “exame escatológico”, que são sinônimas de exame de fezes.
Pois é. Divaguei propositadamente e enveredei, querendo, por caminhos diversos. Gosto de fazer isso. Quero, por fim, concluir (a crônica, é claro) dizendo que o meu trabalho de conclusão de curso é sobre o papel da crônica na literatura brasileira e que tenho o Dicionário proibido inglês-português, de Jayme Hollanda, que comprei em novembro de 2000 (com autógrafo, dedicatória e tudo). Não foi nele, porém, que aprendi o significado de body odor ou, conforme queiram, body odour. Foi no Minidicionário Antônio Olinto: inglês-português, português-inglês, que comprei em 2010.
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 06/10/2025
Alterado em 19/06/2026