A bruxa, a megera e o canalha
Bruxas e megeras existem. Canalhas, também. Hoje cedo, tive o dissabor de encontrar um de cada espécie. Que chatice! Claro, todos sabem o que é bruxa, megera e canalha. Particularmente, gosto das definições dadas a essas palavras pelo Novíssimo Aulete Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, as quais adoto nesta crônica. Segundo o Aulete, megera é “mulher malvada e rabugenta”. Para bruxa, dentre outras, ele dá a definição de “mulher cruel, artimanhosa, traiçoeira etc.”. Aliás, para essa definição de bruxa o Aulete dá megera como sinônimo. E para canalha, também dentre outras, a de “pessoa que tem mau caráter ou comete ações vis, desprezíveis, indignas”.
Amanheceu, a Câmelha saiu para trabalhar, e eu, por volta das 7 e muito, quase 8 horas, resolvi passear um pouco e, dentre outras coisas, comprar frango para fazer o almoço. Lá fui eu. A pé, pela sombra, feliz da vida, olhando a rua e os transeuntes. Depois de andar bastante, parei em uma loja, para comprar cuecas. Foi aí que deparei a megera. Explico. A moça do caixa começou a me atender, mas, para o próprio atendimento precisou pedir a uma colega sua que apanhasse um telefone lá no fundo loja, razão por que me pediu que aguardasse ao lado, e, enquanto esperava, foi atender à mulher que viera imediatamente depois de mim. Era a megera.
A moça do caixa perguntou se ela queria o CPF na nota fiscal, e ela, com cara de imbecil, respondeu que não. Foi aí que eu, tentando ser empático, olhei para ela e, sorrindo para agradar, lhe disse: “Cidadania. Pedir o CPF na nota é um ato de cidadania.” Ela, todavia, com cara de poucos amigos, me respondeu: “Cidadania? Com esse governo que está aí, não tem nem jeito”. Calou-se, de cara amarrada. Sem graça, mas sem me intimidar, olhei-a propositadamente, de cima a baixo, e pensei: “Vixe, é uma megera! É daquela seita dos que, no passado recente, rezaram para pneu na frente dos quartéis Brasil afora e tentaram contato por celular com disco-voador!” E, calando-me, encerrei o infrutífero diálogo.
Era uma gerente ou proprietária de hotel, fisicamente muito bonita. O rosto até me pareceu familiar, ou seja, não me pareceu estranho, embora não a tenha reconhecido. Comprava umas duas dezenas de fronhas e mais outras mercadorias. Fiquei imaginando, cá com meus botões, como devem ser as coisas no hotel dela. Gente que rezou para pneus e cometeu outras loucuras ou, no mínimo, apoiou quem o fez. O tipo de gente que faz coisas erradas porque não concorda com o governo, mas se esquece de que, se pensa que algo está ruim ou errado, precisa tomar as atitudes corretas para mudar. Sonegando impostos ou concorrendo para isso é que não será.
Saí de lá e fui ao supermercado em que compro frequentemente. Lá, encontrei entre os fregueses uma bruxa. Aliás, uma bruxa criminosa, pois já cometeu perjúrio (mentiu em juízo sob o juramento de dizer a verdade) em um processo meu. Também encontrei um canalha entre os empregados do estabelecimento. Pedi três peitos de frango e um quilo de bife sem gordura. Ele, fingindo-se alegre, acenou e até verbalizou positivamente. Eu, porém, já no caixa, percebi que a carne estava cheia de gordura e de pelancas. Aborrecido, deixei-a no caixa e ainda disse um bocado de impropérios. Exausto de tantos aborrecimentos, rumei para casa. Prometi, contudo, a mim mesmo não deixar que a galera do mal estragasse o meu dia.
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 03/04/2025
Alterado em 03/04/2025