Ganhei o dia (aliás, a noite)!
Esta... Esta o quê?... Crônica, a crônica. Esta crônica eu dedico à professora doutora Joseilde Maria Teles (Josie Teles), uma das brilhantes e admiráveis professoras da minha graduação em Letras – Português e Inglês, do Centro Universitário Senac de Santo Amaro, São Paulo. Por que a dedico a ela? Porque ela é minha amiga, e eu gosto de homenagear meus amigos. Mas não é só por isso. É principalmente porque ela, como eu, gosta de estudar e, evidentemente, de livros.
Josie Teles, que não tem tempo nem para se coçar, trabalha e estuda o tempo inteiro. Como eu, vive com a cara no livro. Ou no computador, claro. Além do doutoramento em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, nem vou dizer aqui quantas graduações ela tem. Já falei dela em outras crônicas. Na crônica “O tira na cabeça e outras formas de repressão”, de 29 de junho de 2024, e na crônica “Graduação em Letras. Cursando”, de 13 de junho de 2024. Lembro-me, de vez em quando, de que ela diz: “Quando me sento, penso: ‘O que eu estou me esquecendo de fazer?’”
Pois bem. Nem sei dizer por quê. Ninguém, pois, me pergunte, porque não saberei responder, a não ser dizer que é desânimo, é falta de vontade. De quê? De cronicar. Desanimado, com falta de vontade de escrever, havia dias que não escrevia, não cronicava. Basta dizer que a penúltima e a última das crônicas mais recentes que publiquei foram, respectivamente, “Escravo, não: ser humano escravizado”, de 13 de outubro de 2024, e “O meu tio maçom e eu”, de 15 de março de 2025. Hoje, porém, resolvi escrever, porque ganhei o dia. Aliás, ganhei a noite.
Ganhei a noite ao assistir dois vídeos no YouTube, um sobre a Livraria Calil, a livraria de livros usados mais antiga de São Paulo, e o outro sobre a biblioteca de Ignácio de Loyola Brandão. Indescritíveis no espaço exíguo de uma crônica. A descrição daria para escrever livros. Duvida? Pesquise e assista aos vídeos. A Livraria Calil foi elegantemente apresentada pela proprietária, a bibliotecária Maristela Calil, filha do fundador (já falecido). A de Ignácio, por ele mesmo, que também, a elegância em pessoa, saiu mostrando livros e mais livros ao entrevistador. Maristela também fez o mesmo, exibindo riquíssimas raridades impressas.
Tenho paixão por livros. Daí, fiquei embevecido com a Livraria Calil, que ainda quero conhecer pessoalmente. E, como não poderia deixar de ser, também com a biblioteca de Ignácio de Loyola Brandão, imortal da Academia Brasileira de Letras, a quem profundamente admiro. Impossível para mim, diante de tanta cultura, não me lembrar de Josie Teles e não registrar ligeiramente o fato como uma crônica. Até porque já ganhei a noite com a frase inicial de Ignácio sobre a biblioteca dele: “É uma bagunça. Mas eu só vivo bem no meio da bagunça.” Antológico! Eu também vivo (e me sinto bem) no meio de uma bagunça livresca. E, que maravilha, não estou só! Mais do que bem acompanhado.
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 01/04/2025
Alterado em 02/04/2025